“Eu faço o bem… pra quem?”
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a pedido da Célia Helena to postando (emprestado) um texto do Luis Felipe Pondé, sobre “Autoritarismo escondido”, que acho que tem muito a ver com o momento. Qual seja o momento: a guerra surda, dicotômica, entre internautas (ou não). Esse Grêmio vs Inter, Judeu vs Islamita, Tucano vs Petista, enfim, coisas de extremistas com tapa-olhos de cavalos.
e que geram coisas do tipo: “se eu tomo multa de transito sem razão, a PM tem que descer borracha em quem faz algo pior que eu”, “o Lula que se foda e vá se tratar no SUS”, “pena de morte pq a prisão tá cheia”, etc… todos bem intencionados para com a sociedade em que vivem, claro…
o texto, se bem lido (e de cabeça aberta), pode vir seguido de uma auto-reflexão.
É duro lembrar de algum episódio no qual você se reconhece como protagonista do texto. Mas é isso… faz parte da natureza humana. Que bom que sou alien… :P
O texto do Pondé saiu na Folha de SP, dia 18/07/11
“A tentação totalitária
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Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do “bem total”, depois você vira autoritário em nome dele |
VOCÊ SE considera uma pessoa totalitária? Claro que não, imagino. Você deve ser uma pessoa legal, somos todos.
Às vezes, me emociono e choro diante de minhas boas intenções e me pergunto: como pode existir o mal no mundo? Fossem todos iguais a mim, o mundo seria tão bom… (risadas).
Totalitários são aqueles skinheads que batem em negros, nordestinos e gays.
Mas a verdade é que ser totalitário é mais complexo do que ser uma caricatura ridícula de nazista na periferia de São Paulo.
A essência do totalitarismo não é apenas governos fortes no estilo do fascismo e comunismo clássicos do século 20.
Chama minha atenção um dado essencial do totalitarismo, quase sempre esquecido, e que também era presente nos totalitarismos do século 20.
Você, amante profundo do bem, sabe qual é? Calma, chegaremos lá.
Você se lembra de um filme chamado “Um Homem Bom”, com Viggo Mortensen, no qual ele é um cara legal, um professor universitário não simpatizante do nazismo (o filme se passa na Alemanha nazista), e que acaba sendo “usado” pelo partido?
Pois bem. Neste filme, há uma cena maravilhosa, entre outras. Uma cena num parque lindo, verde, cheio de árvores (a propósito, os nazistas eram sabidamente amantes da natureza e dos animais), famílias brincando, casais se amando, cachorros correndo, até parece o Ibirapuera de domingo.
Aliás, este é um dos melhores filmes sobre como o nazismo se implantou em sua casa, às vezes, sem você perceber e, às vezes, até achando legal porque graças a ele (o partido) você arrumaria um melhor emprego e mais estabilidade na vida.
Fosse hoje em dia, quem sabe, um desses consultores por aí diria, “para ter uma melhor qualidade de vida”.
E aí, a jovem esposa do professor legal (ele acabara de trocar sua esposa de 40 anos por uma de 25 -é, eu sei, banal como a morte) o puxa pelo braço querendo levá-lo para o comício do partido que ia rolar naquele domingão no parque onde as famílias iam em busca de uma melhor qualidade de vida.
Mas ele não tem nenhuma vontade de ir para o comício porque sente um certo “mal-estar” com aquilo tudo. Mas ela, bonita, gostosa, loira, jovem e apaixonada (não se iluda, um par de pernas e uma boca vermelha são mais fortes do que qualquer “visão política de mundo”), diz: “meu amor, tanta gente junta querendo o bem não pode ser tão mal assim”.
É, meu caro amante do bem, esta frase é uma das melhores definições do processo, às vezes invisível, que leva uma pessoa a ser totalitária sem saber: “quero apenas o bem de todos”.
Aí está a característica do totalitarismo que sempre nos escapa, porque ficamos presos nas caricaturas dos skinheads: aquelas pessoas, sim, se emocionavam e choravam diante de tanta boa vontade, diante de tanta emoção coletiva e determinação para o bem.
Esquecemos que naqueles comícios, as pessoas estavam ali “para o bem”.
Se você tem absoluta certeza que “você é do bem”, cuidado, um dia você pode chorar num comício achando que aquilo tudo é lindo e em nome de um futuro melhor.
E se essa certeza vier acompanhada de alguma “verdade cientifica” (como foi comum nos totalitarismos históricos) associada a educadores que querem “fazer seres humanos melhores” (como foi comum nos totalitarismos históricos) e, finalmente, se tiver a ambição política, aí, então, já era.
Toda vez que alguém quiser fazer um ser humano melhor, associando ciência (o ideal da verdade), educação (o ideal de homem) e política (o ideal de mundo), estamos diante da essência do totalitarismo.
O que move uma personalidade totalitária é a certeza de que ela está fazendo o “bem para todos”, não é a vontade de destruir grupos diferentes do dela.
Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do “bem total”, depois você vira autoritário em nome desse bem total.
O melhor antídoto para a tentação do totalitarismo não é a certeza de um “outro bem”, mas a dúvida acerca do que é o bem, aquilo que desde Aristóteles chamamos de prudência, a maior de todas as virtudes políticas.
Não confio em ninguém que queira criar um homem melhor. “
“garoto” propaganda de cachaça!
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Fui, com a Ci, visitar a Expo Cachaça no Mercado Municipal de SP no sábado … mas logo a fotógrafa da Folha me reconheceu como baixista do Dest_lado e pediu para eu ficar ao fundo, degustando a cachaça de Bento Gonçalves (RS) da Casa Bucco, enquanto o gaúcho servia outra dose!
E saiu nessa segunda-feira, no caderno Cotidiano da Folha de São Paulo (foto Letícia Moreira)
e como “todo gaúcho é melhor que brasileiro”, eu tive que provocar o expositor!
_mas Bento Gonçalves não é só famoso por fazer vinhos?
o cara deu uma risada amarela. Eu tomando a cachaça dele e ele se segurando para não pegar a faca da bota:
_ Bah, mas claro que em Bento Gonçalves se faz cachaça muito antes de se fazer vinho!
iuaheiuheiueha
adoro o pessoal do Sul, eles se prendem ao personagem e fazem a festa de quem gosta de tirar sarro. iuaheuihea
mas são gente fina! preciso voltar qq hora naquele país entre o Brasil e o Uruguai… o tal de Rio Grande do Sul…
:)
ótima cachaça, por sinal! recomendada!
e o Dest_lado está em estúdio reformulando o som! se preparem!
:)
Década de 10
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Já dá pra perceber pipocando mundo afora: A década de 10 é a década da virada. Ou do declínio.
“Existe algo errado acontecendo”…
A “Primavera Árabe”, a “Insureição da “”massa”" inglesa”, rebaixamento dos EUA na agência de risco, as manifestações estudantis no Chile…
São os sintomas de: i) um mundo viciado em consumo; ii) a diferença do nível de democracia entre os povos e iii) o acesso desses povos à informação rápida, graças à internet em gadgets – frutos do próprio consumo globalizado!
E eis abaixo o novo arauto desses dias, botando pra fuder no jornal da BBC, o Dacus Howe, já apelidado de o Pantera Negra britânico:
querendo saber mais sobre ele, a revista Vice já se antecipou: clique AQUI pra ver entrevista com ele.
E sobre essa “revolta inglesa”, tem um ótimo artigo do Clovis Rossi da semana passada que eu dei um jeitinho de disponibilizar AQUI
A palavra-chave agora é crise. Não só econômica. Crises são momentos esporádicos… momentos críticos, de decisão. E nesse caso parece indicar o sentido do colapso.
Colapso da produção, do consumo, da ocupação do espaço, da utilização dos recursos, do modo de vida.
Tá muito claro que o novo sonho da classe média não é mais a casa própria. O sonho agora é morar em um Feudo (vulgo condomínio fechado) e consumir os artigos de ponta, as ultranovidades da tecnologia (ou do marketing): a criação de necessidades que antes nao haviam. Esse é o sinônimo de felicidade, nesse começo de década.
Por acaso você precisa trocar um celular por outro de 6 em 6 meses? Ou a industria é que está criando alguma novidade para que os milhões de trouxas, como eu, achem aparelho atual obsoleto e troquem por um novo? Afinal, se todos no mundo tiverem um celular só para falar com o vizinho, a fábrica fecha.
o Colapso significa que o “mundo moderno” pede para que as pessoas sejam mais egoístas… e isso é insustentável.
o egoísmo-coletivo é o contrario do progresso.
mas é isso que aumenta as vendas e dá dindin!
E agora?
Eu troco 500km de trem-bala por 5000km de trem normal!
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Alô, Dilma!
Estamos em um dos únicos países do mundo que não tem trem de passageiro!
Depois de décadas de sucateamento, passando por absurdos no Ministério dos Transportes, que é óbvio que jogou as ferrovias nacionais nas mãos das grandes mineradoras e do agronegócio, reduzimos as viagens de Trem a praticamente ZERO!
Quando digo “Trem de Passageiro” não estou falando de passeios turísticos de trem! Estou falando de transporte de gente dum lado pro outro. “Passeio em trem antigo pra ver a serrinha com almoço incluso” pra mim é parque de diversão! nostalgia. To falando de por as malas num vagão e ir pra outra cidade ou Estado, porra! =)
“É importante saber que não existem mais trens de passageiros regulares no Brasil, com apenas duas exceções (os trens da Vale do Rio Doce, Belo Horizonte-Vitória e São Luiz-Carajás) e dos trens metropolitanos de algumas capitais (…)” no site http://www.estacoesferroviarias.com.br
Cadê o PAC da Ferrovia?!?!
o Brasil deveria ter pelo menos uma Ferrovia que ligasse o Norte ao Sul, passando por Brasília e pelo menos 5 entroncamentos ligando interior ao litoral, apenas para passageiros.
E não priorizar ainda mais a ligação do eixo rio-sp via trem-bala! Para acelerar o desenvolvimento do Brasil, seria muito bem-vindo o fluxo de pessoas… e logística em geral rodando Brasil afora!
Nossa, me lembro de ir de trem com meus avós de SP até Nova Granada, praticamente em Minas Gerais… e tinha beliche! :)
Quem é dono das ferrovias?

ahhhhh…. Eu troco as obras da Copa para construir essa ferrovia!
E na verdade nem precisa construir muitas ferrovias… o que precisa é recupera-las e retomar das mãos das grandes empresas! Como podemos ter deixado elas virarem “donas” dos trilhos???
Nesse post o camarada cita que temos mais de 28.000 km de malha ferroviária!
E que as ferrovias foram privatizadas e funcionam por concessões.
Acho que está na hora de termos de volta o que é nosso!
Mas já estaria de bom tamanho trocar essa merda de trem-bala por uma ferrovia convencional, pelo mesmo preço! O trem-bala é trocar 6 por meia-dúzia a ponte aérea que funciona perfeitamente e que nao tem um preço muito alto. Aliás, diziam que a passagem rio-sp de trem-bala seria no mesmo valor da ponte aérea, para nao prejudicar as companhias… absurdo!
Então vamos a nova pseudo-campanha:
“Eu troco 500km de trem-bala por 5000km de trem normal!”
Não preciso ir longe pra dar exemplo… A Bolívia tem trens de passageiros, com composições e vagões desde ultra-populares até de alto luxo, com jantares na base de velas e vinhos… sem querer desmerecer os hermanos, claro!
Caso uma crise braba a longo prazo venha aí, investir em turismo doméstico, depois de elevar grande qtde da população à classe media, pode ser uma boa ideia! Vamos retomar as Ferrovias!
O certo seria invocar os Ecobobos, afinal é um transporte muito mais ecológico e sustentável que infinitos veículos rodoviários. E eles tem mania de formar exércitos de convencimento, como tá na moda o GreenPeace e afins na Av. Paulista… Mas é claro que eles não pensam nisso… só querem aporrinhar tentando vetar alguma hidrelétrica ou me enchendo pra nao comer mais bife.
Mas também, num país com um dos maiores potenciais turísticos do planeta, o Ministério de Turismo teve um corte no orçamento absurdo em 2011. E o Ministério dos Transportes, além de ter um orçamento enorme, é um dos mais sujos…
tamo a pé ou de trem?
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