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Dicas para ir ao Anhembi (e AES)

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fui no congresso da AES 2010 (Audio Engineering Society) la no Anhembi e percebi que tem pouca coisa na net com dicas para quem vai la participar de eventos, feiras, convencoes, etc…

entao resolvi escrever algumas :)

antes de escrever as minhas dicas, aqui ta o site oficial: http://www.anhembi.com.br/

DICAS PARA IR AO ANHEMBI:

Estacionamento:

Todos sempre falam pra voce nao ir de carro… eu acho que é algo que deve ser pensado e pode valer muito a pena…

o “Estacionar” no Anhembi pode ser resumido a “facada no lado que vc mais precisa do figado”. Estava custando 25,00 a diaria. E não adianta dar de espertão dizendo que para na rua, pq simplesmente nao existe rua para parar.

Bom, cheguei lá de carro (pq nao moro tão perto do metrô…). Se fosse sem carro, precisaria pegar um onibus + metro + onibus… o que me faria perder uma palestra ou duas. Sem contar que custaria alguma coisa razoavel… ida e volta, por 3 dias.

Ao chegar no estacionamento e ver o assalto a mao armada do preço pra deixar meu carro Anhembi, perguntei a alguns taxistas que me indicaram:

DICA: Estacione na Av. Voluntários da Patria, proximo ao metrô Tietê-Portuguesa, em um estacionamento perto ja da marginal Tietê, próximo a ponte das Bandeiras. Mas não em qq estacionamento, que custaria uns 10,00 a diária… mas NO maior estacionamento, proximo a faculdade:  6,00 a diária num ótimo self-park ;)

Depois de parar, siga a dica para chegar no Anhembi abaixo:

Transporte:

Se vc mora perto do metrô, ou vem de fora da cidade pela rodoviária, é óbvio que vc vai descer na estação Metro Portuguesa – Tietê.

Cheque antes com o Evento se voce tem direito a Van, que muitas vezes vem e volta do Anhembi e para na travessinha do lado do metrô, Rua Mal. Odilio Denys, ou mesmo na rua de tras, av. Voluntarios da Patria.

Se não estiver com saco de esperar ou nao tiver van, pegue o onibus de linha CEASA 278-A que para no ponto ao lado da banca de jornal da avenida do metro, praticamente em frente ao Hotel Best Western e passa em frente ao Anhembi (cerca de 5min de viagem). Cuide para nao descer um ponto antes (como eu fiz ao perguntar onde era o Anhembi). Na verdade eu deveria ter entrado pela entrada que tb dá acesso ao Sambódromo. Dê uma perguntada onde é a entrada do seu evento.

Alimentação:

É a pior coisa do centro de convenções: não tanto pela qualidade, mas pelo preço. No congresso que eu estava, o prato mais chinfrim custava 25,00… um filezinho de frango e arroz com batata frita… nem feijao tem.

E se voce for passar o dia inteiro la, nao vale a pena comprar sanduiche (por volta de 15,00) porque a fome vai voltar varias vezes e vc vai acabar comendo 3 sandus entre outros cafés…

Solução economica: Saia a pé, mesmo, pelo “pudim” (é só perguntar, tem um toldo amarelo) e vá andando para o Aeroporto Campo de Marte. É sério! É só atravessar a avenida e entrar pela portaria. Pouca gente do Anhembi fala sobre isso, mas lá tem um restaurante chamado Heliponto, que tem pratos rapidos e baratos (bife, arroz, batata e feijao por cerca de 10,00)

Solução com tempo: Se tiver no pique, tem um mini shopping la no Campo de Marte que tem outras coisas…

Solução Gourmet: Se voce não se importa muito com o preço da comida no Anhembi mas acha essas coisas Feiras muito mal feitas (mais conhecido como Comida Ruim), saiba que dá para ir andando ao Bar Brahma do Aeroporto Campo de Marte. Além de ser um dos chopes mais famosos de SP, tem uma comida de alta qualidade. Muito boa, mesmo, com pratos rapidos, pratos do dia entre outras coisas. Feijoada mto foda, na quarta-feira.

Solução quero-comer-até-estourar: Churrascaria Anhembi. Na verdade é na avenida, do lado de fora… até da pra ir andando e o passoal do Anhembi costuma indicar lá… num sei, nao…

Solução não-quero-andar-e-nao-ligo-pra-gastar: Restaurante Camauê, no Hotel Holiday Inn, dentro do Anhembi: Serve Buffet de Almoço/Janta por uns 60,00 por pessoa.

Hospedagem:

Falei com algumas pessoas que chegaram de avião pelo aeroporto de Congonhas e acharam óbvio reservar um hotel próximo ao aeroporto, para “facilitar”…  erraram!

Se voce vai mais de um dia ao Anhembi, nessa viagem, e não tem nenhum outro motivo para ficar próximo ao aeroporto (a nao ser pegar o avião, óbvio :P ) então NÃO se hospede próximo ao Aeroporto. Explico:

se vc vai dormir e voltar ao Anhembi no outro dia, vai perder muito tempo (e dinheiro!) indo e voltando para lá. Sem contar o transito infernal, cartao postal de SP.

Se vier para SP apenas para ir ao Anhembi (e se nao for passear ou fazer outros negocios por SP), fique o mais perto do Anhembi possivel…

Solução próxima: Se não precisar economizar muito e não for rodar por SP, fique no Hotel DENTRO do Anhembi, o Holliday Inn.

Solução Intermediária: Se pegar van (ou onibus) não é problema; e estar numa “região de rodoviária” (muita gente de passagem deixa o lugar meio esquisito) não te estressa;  e ficar do lado do metrô te traz vantagens, fiquei no Hotel Best Western

Solucao Economica: Rede Formule 1 de hotel: vc paga aproximadamente 80,00 e pode se hospedar em até 3 pessoas por esse preço (apertado num quarto-lata-de-sardinha, claro). Escolha um dos 4 que sao os “mais proximos” ao anhembi que tem diferencas interessantes de localizacao:

– F1 Paraíso: o Menos perto dos 4, mas talvez o mais fácil de chegar de metrô, pq está ao lado de uma estação, e tb o mais facil de chegar de carro, por estar do lado da av. 23 de Maio, praticamente uma “reta” até o Anhembi. Está em um bom bairro, próximo a avenida Paulista.

– F1 São João: Bom pra quem quer ficar no centro de SP, para trabalho, compras ou algum tipo de lazer nao-convencional… rs

– F1 Paulista: Fica na av. Consolação, que tem metrô medio-perto (vai inaugurar uma estação bem perto em breve) e que não está tão fora de mão para ir ao Anhembi. A principal vantagem é estar na Av. Paulista, local bom pra quem vem a sp e quer ficar num local bom de se movimentar pela cidade.

– F1 Jardins:  esse é obvio… vc quer ficar perto dos bairros nobres (Jardins) pagando pouco… Acho uma estranha opcao, apesar de estar na av. 9 de Julho, um bom corredor de onibus para chegar rapido ao Anhembi. Pegue o Onibus “Metrô Santana – 106-A 10″…

Solucao Economica Descolada: Se voce QUER ficar afastado do Caos da Marginal Tiete/Metrô/Anhembi e quer ficar num lugar agradavel para andar durante dia/noite com muitos bares, vc precisa vai ficar no CasaClub, um Hostel (Albergue) na Vila Madalena, ocupado geralmente por gringos.

Coisas a levar!!! :) coisas obvias que devem entrar no check list de um nerd-economico!

AGUA: pode ser ridiculo o que vou escrever, mas é uma boa idéia levar agua. Uma garrafinha la custa em torno de 5,00…  não é a coisa mais cara do mundo, mas tb nao é barato. leve uma garrafinha de agua na mochila… e aproveite pra encher ela nos bebedouros, entre as palestras… a agua de la é bem filtrada e nao tem gosto de cloro, além de ser mais gelada que a vendida ;)

se vc ficar la 8h num dia, vai beber umas 3  garrafas… vai economizar 15,00 por dia

BLUSA:  Mesmo que o calor esteja de Saará (mistura de Ceará com Sahara – pessima piada) sempre tem uma sala de palestra ou auditorio que o ar condicionado está no maximo…  se tiver poucas pessoas, digo pinguins, ja viu que vai sair todo fudido…

GUARDA-CHUVA: Eu sei… dentro do Centro de Convenções nao chove… mas se vc for usar as outras dicas num dia de chuva, vai rodar lindo… melhor se prevenir… ;)

CHOCOLATE: Se vc pegar 3 ou mais horas de palestra e for chocolatra, claro que deve levar um choco pra abrir no meio. Principalmente se achar alguma parte da exposicao muito chata. o Choco reanima. Claro que se tiver numa mesa redonda pegando fogo, o ideal seria pipoca… pq filme de comedia sempre precisa de pipoca.

PAPEL E CANETA: Por mais que um notebook seja util numa palestra, ainda mais com wireless liberado, acho que eh um pouco falta de noção ficar navegando durante uma apresentacao. Afinal, a maioria que esta com um Note numa palestra está checando email, entrando no facebook ou twittando falando mal do palestrante,  enquanto ouve o ser falante na frente. E, no fim, esse imbecil que ficou navegando o tempo inteiro pede o microfone pra perguntar  algo que ja foi explicado por mais de 30min e ele nao percebeu!

Tente ser descente e nao passe por isso, por favor! Seja modesto o suficiente para anotar coisas realmente importantes a moda antiga: o que vale a pena ser escrito a mao, é digno de ser usado depois. Senao vc vai ficar digitando igual um babaca no notepad e vai acabar apagando depois. :P

CARTAO DE VISITA: Mesmo que voce ache desnecessario, por nao trabalhar numa empresa, nao ser socio ou ser free-lancer, é sempre bom ter um cartao em maos…  (eu mesmo preciso me lembrar dessa dica!)

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Ecobobos, acordem!

Tomei a liberdade (roubada a força) de publicar no meu blog texto de Rogério Cezar de Cerqueira Leite, originalmente publicado na Folha de São Paulo, no dia 19/05/2010.

Sei que não está de todo correto publicar sem autorização do autor, porém, acho que esse é um manifesto anti-imbecilização, importante de ser lido e espalhado, já que vivemos numa época em que todos os Ecobobos alienados aplaudem James Cameron.

Belo Monte, a floresta e a árvore

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE


Se o Brasil for impedido de ampliar o aproveitamento do potencial hidroelétrico, então será forçado a recorrer ao uso de combustível fóssil


QUE CARNAVAL estão fazendo os ambientalistas e ecopalermas em torno da futura usina de Belo Monte, a ser implantada no médio Xingu, na Amazônia.
O primeiro crime, segundo eles, seria o sacrifício de 500 km 2 de mata, ou seja, a mesma área que, em média, tem sido desmatada a cada dois dias neses últimos anos, devido ao comércio de madeiras e à invasão da soja e do gado na Amazônia.
Esse exército extemporâneo de Brancaleone é composto de conservacionistas de diversas espécies.
Além de uma tribo de índios locais e de bem-intencionados, porém mal informados, estudantes e intelectuais, veem-se artistas de Hollywood e de outras culturas, malabaristas, fanfarrões e pseudointelectuais.
Será que esses senhores deixaram de comprar móveis de mogno, ou se manifestaram perante seus governos, ou boicotaram a carne e a soja produzidas na Amazônia?
Será que percebem que a área alagada pelo projeto Belo Monte corresponde a tão somente 0,01% da Amazônia brasileira e que bastariam 0,025% do rebanho nacional de gado para invadi-la, dentro da média atual de ocupação?
Ou seja, da maneira como está planejada Belo Monte, usina de fio d’água, não há no Brasil melhor opção do ponto de vista de sustentabilidade, que combine condições ecológicas e também financeiras.
Alguns talvez argumentem que, somando vários 0,01% do território da Amazônia, então se ocuparia parcela apreciável do território amazônico.
Ah, que bênção seria se tivéssemos mais uma meia dúzia de Belo Montes! Mas, infelizmente, não existem tais riquezas. Tudo bem, vão dizer os mais inteligentes e bem-intencionados “ignocentes” (neologismo composto por 50% de inocência + 50% de ignorância), mas e a biodiversidade?
Ora, qualquer espécie que esteja espontaneamente restrita a um território de 500 km 2, excetuando-se algumas confinadas a pequenas ilhas, já está em extinção. Só um ignorante pode pensar em perda de biodiversidade nessas circunstâncias.
E é claro que muitos espécimes vão sucumbir, milhares, se não milhões de formigas, carunchos e talvez até alguns mamíferos. Em compensação, 20 milhões de brasileiros poderão ter luz em suas casas, muitos outros locais passarão a ter benefícios do progresso, poderão ver pela TV o “Programa do Ratinho”.
Indústrias geradoras de emprego serão implantadas. É isso que os “ignocentes” não percebem. Eles veem a árvore, mas não percebem a floresta onde ela está inserida, sem a qual não pode a árvore sobreviver.
Quanto à questão social, é preciso lembrar que o caso de Belo Monte é muito diferente do de Três Gargantas, na China, onde a densidade da população ribeirinha era extremamente elevada. O governo chinês admite que precisou realocar 1 milhão de habitantes; outras organizações falam em 2 e até 3 milhões.
Em contraste, considera-se que, em Belo Monte, apenas dois ou três milhares de habitantes são computados e que, na mudança, ganhariam significativamente quanto a infraestrutura e conforto pessoal. Os índios da região amazônica são, em origem, seminômades, deslocando-se periodicamente sempre que recursos naturais se escasseiem devido ao extrativismo a que eles mesmos recorrem.
Portanto, dos pontos de vista cultural, psicológico e até mesmo material, contrariamente ao que pretendem alguns ambientalistas, o índio pouco ou nada sofrerá.
Vejamos por que são tão ingênuos esses bem-intencionados verdolengos. Se o Brasil for impedido de ampliar o aproveitamento do seu potencial hidroelétrico, será forçado a recorrer ao combustível fóssil, pois a energia eólica, embora desejável sob vários aspectos de sustentabilidade, não oferece segurança de fornecimento acima de certo nível de participação em um sistema integrado.
Além do mais, a distribuição de ventos pode mudar com as inexoráveis mudanças climáticas, devido ao aquecimento global. E, se jamais o pré-sal vier a se concretizar, não haverá como convencer os líderes governamentais de que usinas termoelétricas a óleo combustível serão prejudiciais à humanidade.
Será que tais ambientalistas não percebem que não deixam alternativa ao país senão o uso de combustíveis fósseis, o que acarretará, inelutavelmente, embora a longo prazo, a desertificação da Amazônia, dentre outras catástrofes?
Com isso, não será apenas a meia dúzia de saimiris que perecerá nos 500 km 2 da usina Belo Monte, mas toda, ou quase toda, a biodiversidade da Amazônia e do resto do planeta.
Não percebem esses “ignocentes” que a usina e suas eventuais congêneres constituem a melhor arma que têm o Brasil e a humanidade para combater o aquecimento global e, com isso, defender a integridade da floresta Amazônica e das demais matas de todo o planeta?


ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE , 78, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial da Folha.