Aborto?!

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A questão principal é interferir ou não na vida dos outros.

É possível que exista gente que gostaria que o álcool-bebida parasse de ser vendido.

Isso está longe de parecer viável… mas pode acontecer! E o consumo de álcool por um pode interferir, com certeza,  na vida de outra pessoa.

Mas em outros casos, qual a interferência?

Se se descriminalizasse (ou mesmo se liberasse) o uso da maconha? Que diferença faz se seu “café” é diferente do “café” do outro?! Merece reclusão?

E se você é vegetariano, porque não continua matando alfaces e deixa meu churrasco em paz?! Afinal, eu tb sou vegetariano quando não estou comendo carne… :)

De qualquer forma, todos os seres que não vivem de fotonssíntese tem que que subjugar outra vida para sobreviver!

Mas no caso Aborto, se pessoas abortarem, não significa prejuízo nenhum dos que são contra. E se o feto vem de células de duas pessoas, é direito delas fazer o que quiserem com elas!

A não ser que os religiosos acreditem que todos (ou o máximo possível de almas) tenham que ir para o Céu, para garantir o sucesso da operação divina.

Então:

Religiosos, deixem que os pró-aborto tenham direito de ir ao inferno! Que mania de querer a salvação para todos, usando a Lei dos Homens! Afinal, no inferno tem Rock!

Mas o que seria mais produtivo (e legal) é um debate digno entre as partes. Ou entre indecisos, ou com pessoas que concordem ou discordem em parte.

Sempre toco nessa tecla, nas redes sociais ou em papo de boteco:

As pessoas precisam aprender a respeitar mais a opinião dos outros e conversar numa boa, mantendo amizade e trocando informações.

Isso vale para aborto, para lei seca, para construção de represas, para vegetarianismo… e, enfim, para política, futebol e religião!

A frase mais burra, que perdura desde a ditadura, é “Política e religião não se discute! (cada um tem a sua)”

Como não?! Você é burro ou o quê?? Se você não pode conversar sobre coisas importantes, a sua vida é o que, só fofocas?!

“Discutir” não quer dizer “brigar”!

A não ser que vc seja um teimoso fundamentalista… aí tudo bem, vá apedrejar alguém na esquina! =P

Debate/Discussão tá em baixa ultimamente…  as pessoas querem empurrar uma opinião pronta comprada na Veja ou ouvida por um Jabor, Mainardi, Casoy, Datena da vida… como se fossem donas da verdade. Ou quando a pessoa quer desqualificar uma opinião, fazendo escárnio da do argumento, ou citando erros de português, por exemplo?! afff

Se vc quiser ver o nivel (não recomendo), digite “abortion” no Google imagens, pra ver como tá a situação de quem quer convercer de que está certo. O nivel está muito baixo , não só no Brasil.

E como o post é sobre debates civilizados, aí está um texto que saiu na Folha de São Paulo hoje, Sexta-feira 13 (de abril de 2012), bacaninha, sobre o tema.

Tem uma questão legal sobre a importância de haver diálogos entre conservadores e liberais nas sociedades modernas.

Visões de mundo

Hélio Schwartsman

” De um lado, estão Suécia, Dinamarca, França, Holanda, Itália, Canadá e EUA; do outro, Belize, República Dominicana, Laos, Tuvalu e Vaticano. Qual a diferença entre os dois grupos? No primeiro, o aborto é livre. No segundo, proibido em todas as circunstâncias.

Pode ser só coincidência, mas países que ultrapassaram certo patamar de desenvolvimento econômico e educacional liberalizaram sua legislação relativa ao tema. Na companhia de quem o Brasil deve estar?

A decisão de ontem do STF de permitir o aborto de fetos anencefálicos chega com atraso e não toca na questão principal, que é definir se a interrupção voluntária da gravidez deve ou não ser considerada crime.

Como o leitor já deve ter percebido, tenho uma opinião bem firme sobre o assunto, mas hoje eu vim não para dividir, mas para unir.

No recém-lançado “The Righteous Mind”, o psicólogo Jonathan Haidt sustenta que as visões de mundo de liberais (esquerdistas) e conservadores têm base em diferentes combinações de intuições morais. Enquanto os primeiros se focam nas noções de proteção, justiça e liberdade, os segundos operam com essas três categorias mais as de lealdade, autoridade e santidade (ou pureza).

Para o autor, que é um liberal, os conservadores estão em vantagem. Eles podem não ser tão bons para detectar injustiças e defender os oprimidos, mas são seus valores “exclusivos” que promovem a coesão de grupos e azeitam os vínculos comunitários. Um mundo totalmente liberal seria um lugar bem mais solitário.

Segundo Haidt, precisamos das duas visões. Melhor ainda se o debate entre elas for civilizado, marcado pela tentativa sincera de compreender o outro lado. Mais do que fruto de interesses escusos ou opções ideológicas, o “blend” de intuições morais de cada indivíduo é, em larga medida, ditado pela genética. Estamos condenados a ser o que somos e também a conviver uns com os outros.”

E viva o Estado Laico!

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